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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Fugir correndo

Hoje meu dia não foi dos piores, mas nem dos melhores. Dudu se divertiu muito na piscina e eu pude tomar uma cerveja pra tentar relaxar. Resolvi subir pra praça central da cidade, já que hoje a muvuca é grande e me arrependi. Quando subi tava tudo tranquilo, tava tocando uma banda, o pessoal tava animado, muita descontração e um sorteio. Tudo bem normal quando tem muvuca por aqui. Até que resolveram soltar fogos de artifício. Me veio o meu réveillon na cabeça e o resto dá pra imaginar: no meio de toda a beleza dos fogos, todas as risadas, do pessoal encantado com as cores lindas, eu fico com vontade de chorar. O Dudu, no meu colo, me abraçou por causa do barulho e eu fiquei pior. Deu vontade de sair correndo de lá, de me esconder e poder chorar, mas tudo que eu pude - pra não passar um fiasco - foi deixar uma lágrima cair.
Eu percebi hoje que eu nunca vou esquecer o que eu passei e vai demorar pra conseguir ver fogos de artifício sem lembrar da noite em que todo mundo estava festejando, enquanto eu estava em casa chorando, preocupada com o futuro do meu filho, e se era uma boa hora de bater na casa dos vizinhos pra eles ficarem com o Dudu enquanto eu me matava. O pior de tudo isso é que ninguém fez uma forcinha pra nada disso melhorar e eu tive que aguentar tudo sozinha. E continuo aguentando, até não suportar mais.

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