Cheguei. Não vejo nada, nem o horizonte, ele parou de existir enquanto subia. Tudo que tenho ao meu redor é o espaço cercado da matéria escura que um dia quis desvendar. As luzes que um dia eu via lá de baixo cortar o céu, hoje estão à minha volta e continuam do mesmo tamanho. Porém, um mundo azul que parecia tão grande, hoje vejo brilhar em meus olhos cansados, de um tamanho que eu poderia abraçar com meus braços pequenos. Sou eu, aqui, em frente a ele todo, o mundo todo ao meu alcance. Finalmente cheguei onde queria e agora é tudo tão silencioso. Tudo tão diferente lá de baixo. Eu flutuo, apesar da roupa aparentemente pesada e cheia de aparelhos pra me fazerem respirar e sobreviver ao vacuo pesado que pode me matar. Eu voo como uma pena e não sinto meus 55 quilos. Aquele tubo que me conecta à nave que me levará pra casa é o unico que me segura pra realidade de que um dia vou voltar. Teus olhos de despedida surgem na minha mente, junto com aquele teu medo de me deixar ir, misturado com o orgulho que você teria de me ver chegar até aqui. Eu vim até aqui pra te encontrar, amor, me contaram que você estaria no céu, mas tudo que vejo é uma imensidão silenciosa sem ninguém me ouvir. Alguém poderia me ouvir te chamar? Alguém me enxergaria aqui no alto, a tua procura, à procura do teu abraço? Eu cheguei onde queria e é aqui que quero ficar, no silêncio do espaço, onde não existe céu. Não quero mais voltar ao mundo que você vivia e não vive mais. Cheguei ao ápice da minha conquista, e agora, quem me levará de volta pra casa?
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