Tô disposta a sorrir hoje. E não é o sorriso forçado quando ouço uma piada, é um sorriso de "o que é que está acontecendo comigo pra eu estar feliz assim?". Agora que tenho cartão no meu celular (já que colocaram mesmo que eu tenha dito não, hahaha) tenho vontade de ficar mandando a mesma mensagem de ontem, todo o tempo, com a mesma sinceridade.
Hoje fomos jantar com os amigos, os colegas e os parentes dele e me senti bem. Eu era a estranha no meio de amizades de longa data e parentes próximos, mas eu fui tratada como a nova integrante do bando, desconfiando, mas confiando. Fazia tempo que não me sentia "da família". O Dudu foi chamado de "enteado" e brincou com as crianças da família como se já conhecessem elas há anos. Fizemos mais planos, incluímos a minha família e tudo vai indo tão bem que chego a me assustar. As vezes quero parar, mas não tenho o que parar, tudo depende de mim e aparentemente, quero continuar.
Hoje me perguntaram o clichê: "você e o pai do teu filho não vão mais voltar?" e eu mudei minha resposta. Aquela velha culpa pra cima dele "ele podia evitar, mas não quis" mudou, porque depois de um tempo eu fiquei consciente de que muita gente passa por coisa pior e continuam juntos. Hoje eu respondo que não, com um sorriso no rosto. Eu tô melhor, sem pressões, sem precisar pedir pras pessoas serem melhores, porque as pessoas que estão ao meu redor já são melhores do que a minha opinião. Eu finalmente sou a que ouve e não a que fala. Tenho certeza de que o "menino que morava na minha casa" deve estar melhor também. Assim dizem as evidências que tenho guardadas, assim dizem as pessoas, assim dizem as atitudes dele. Confesso, com lagrimas nos olhos, que eu esperei uma volta, mas não dele, esperei o homem que ele deveria ser. Não esperei que voltasse por mim, porque sei que ele não faria isso, mas pelo Dudu. Me dá um asco em pensar que uma pessoa prefere os caprichos da própria vida do que mudar pra garantir um futuro saudável pra um filho e uma vida digna pra si próprio. Eu não entendo como uma pessoa consegue segurar um bebê nos braços e não saber sobre a responsabilidade de ficar 18 anos (pelo menos) aturando vergonhas, decepções, deixando de lado coisas que gosta pra dar tudo pra um filho. Sinto pena de pessoas que não dão valor à família que constrói. Eu não aguentei ser agredida e ofendida até agora, mas aguentaria um perdão misericordioso. Digo isso hoje, porque ficou na minha cabeça o que minha amiga me disse: "Depois que eu e o meu marido passamos pelo que você passou, ficamos juntos. Mas estamos juntos pelo nosso filho e não porque nos amamos. O amor ficou nas lembranças boas, as coisas boas que temos hoje são consequências de ser uma família".
Por isso eu tô aqui, cuidando da minha família, com meu filho dormindo como um anjo do meu lado, depois de ter dado mil gargalhadas jogando bola com os sobrinhos do meu "príncipe encantado, que precisa me trazer de volta à meia noite pra não perder o meu encanto de Cinderella".
Poderia ter feito o mesmo. Poderia ter largado tudo e vivido a vida que tinha antes. Poderia deixar minha casa toda bagunçada, sem uma rotina e sem comida na geladeira. Poderia deixar meu filho pra ser criado pelos meus pais e trabalhar pra fazer festas. Poderia, mas ainda tenho orgulho de dizer que sou mãe de família! Algo valioso que se quebra, a gente não joga fora, a gente conserta. Tô juntando os cacos.
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