Procurar

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Dia de meia chuva

Acabei de voltar da rua e acabou de parar de chover. Parece que o céu sabe que na nossa vida só chove e resolveu contribuir bem na hora em que eu e o Dudu tínhamos que ir na farmácia e no mercado. Quem passa por mim e vê uma mãe tentando fazer de tudo pro seu filho não se molhar, carregando sacolas de fraldas, pomadas e remédios comprados com dinheiro contado (e ainda faltando), com cara de quem criou até hoje um filho sozinha não imagina que no ano passado isso não existia. Fui obrigada a trocar coisas minhas por coisas do meu filho pela desobrigação de quem deveria fazer isso. É um descaso horrível que tenho até vergonha de contar isso no blog, mas acontece.  Há um tempo atrás o "suposto" pai do meu filho (que só é pai porque diz no DNA deles) foi meio obrigado a contribuir com as despesas da minha família, só porque alguém (provavelmente o advogado) mandou, e ao invés de contribuir com o que realmente necessitávamos, mandou coisas absurdas só pra dizer que ajudou. Já não bastava todo os problemas que ele mandou pra nossa vida depois de tudo que fez, mandou a ingratidão embalada junto com comida que o Dudu não precisava no momento (e ainda não precisa!). Eu pensei que era falta de comunicação, já que é a unica coisa que não existe entre a gente, depois de tudo que aconteceu (pelo menos isso!) e resolvi fazer uma listinha das coisas que o Dudu precisava pra ontem e mandei pra ele. Vesti a carapuça de leoa e fiz isso pelo meu filho. Eu sou teimosa e orgulhosa por natureza e sei que posso fazer o que for por ele, mas achei que dar o gostinho de "ser um pai responsável" fosse bom pra ele. Passaram dois dias e nada, é semana de festas na região e o dinheiro em cervejas e cigarro é mais importante que o meu filho bem alimentado e usando fraldas. Acabei confirmando tudo que eu pensava sobre ele. Era tudo fantasia, eram tudo aparências. Tantos homens querendo ser pais e um pai querendo ser criança. Nem me atrevo a chamar um indivíduo desse de pai, porque até hoje, tudo que ele fez foi ser irmão do próprio filho. Hoje tenho certeza que foi tudo premeditado. Parecia que faziam dias que ele estava treinando a mira de uma xícara na cabeça de um boneco com a minha foto e todo o discurso de depois: "vá na delegacia, vá!", como se fosse um favor que eu estivesse fazendo. 
Ontem, depois de eu dizer que separação não é fácil, ainda mais quando se tem uma criança pra cuidar, me perguntaram: "E se ele viesse com mil perdões nas mãos agora?". Por que agora? Qual a necessidade de ver um filho (por mais que ele não entenda - e pra mim, ele acha que o pai dele foi trabalhar e daqui a pouco volta, como sempre foi) passar por tudo isso? Ver quem fez tudo por ele todo esse tempo lamentando em lágrimas e vendendo as próprias coisas pra ter dinheiro pra pagar dívidas? Puro capricho? Na minha vida não tenho mais caprichos, tanto que pensei muito no que me perguntaram e achei que aguentaria muito mais tempo antes de tudo acabar. Há muito tempo eu havia ligado o "não ligo" e achei que conseguiria aguentar até uns tabefes pelo bem de uma família unida a vida toda. Eu estava sendo tradicional, como muitas mães que aguentaram traições, injúrias, brigas e decepções pelo bem dos filhos, mas depois de ter dado um basta, eu me sinto incapaz. Fui incapaz de aguentar coisas, mas não me atreveria a viver de aparências. Ainda espero viver em um casamento, e não vou me deixar abater por isso. Há homens lá fora, por mais que eu ache que todos são moleques que acham que filhos são bonecos que podem ser guardados quando se enjoa. Já passei por outros fins de relacionamento, por mim, tenho experiência suficiente pra seguir em frente. Vesti as dores do meu filho e o que me dói é tudo que ele está se submetendo. Só vou sossegar de verdade quando ele estiver na faculdade, até lá, continuo sendo um escudo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário