aaaaah, as férias! Ir pro litoral nas férias, quem curte?
Era um domingo ensolarado quando eu disse: EU VOU PRO LITORAL!
E fui! Peguei minhas trouxas, meu inseparável Coti e segui a serra rumo ao litoral norte, até a praia do Cassino, no litoral sul. Brisas do norte me diziam pra ficar, e meu destino final se tornou Capão da Canoa. Estive quase 2 meses fora, deu tempo de curtir um veraneio legal, umas brisas muito loucas e pessoas mais loucas ainda. Deu tempo de trabalhar em um supermercado, de me apaixonar... Eu precisava desse tempo pra estabilizar muitas coisas na minha vida, coisa que constantemente eu estou fazendo: procurando pela minha vida sossegada. Ouvi muitas vezes as pessoas me dizendo: "céus, você é louca!", de pegar meu carro e ir pra longe com ele, passar por coisas sinistras, se machucar, se queimar no sol, se perder em ruas desertas com a gasolina do carro na reserva, passar por uma serra com declive acentuado em pleno temporal, enfrentar medos de infancia (como por exemplo, passar em baixo do parque eólico e ver os terriveis "bichos que piscam o olho vermelho e fazem vrum-vrum-vrum", ou passar por pontes e túneis que eu só conseguia passar com meus pais de carro se estivesse tomado um Dramin pra não ver nada), muitas vezes não ter um lugar certo pra dormir, ou ter que vender roupas pra conseguir dinheiro pra comer. Sim, essas coisas servem como aprendizado! Não me arrependo de muitas vezes me chamarem de louca, ou de criança, como fui taxada pela minha propria irmã, e jamais me arrependeria! É correndo riscos que conheço o lado bom da vida. De quando não aguentamos mais estar sozinhos e precisamos do abraço caloroso do pai ou da mãe. Quando tudo que você quer é o chuveiro ruim que tem na casa da sua avó, ou a cama que você deixou em casa, ou a máquina de lavar que tranca na metade da lavagem. É sentindo frio, fome, saudade, calor, dor que damos valor ao que temos, menor que seja, nós temos!
Os dias que mais aprendi não foram quando estava em Palmeira das Missões, quando tinha tudo que sempre quis lá ou quando morava com meus pais, foram os dias que pude ver o sol ou a lua cheia nascerem do mar, pude conhecer pessoas que estavam lá pelo mesmo motivo que o meu. Pude conhecer o Theonas, o Elias, o Ricardo, a Bel, a Paty, a Katia... Fiz amigos, inimigos, fiz amores, fiz até um futuro marido. Me viciei em café, em chimarrão, em banho..
Coisas assim a gente só conhece uma vez na vida.
Lugares, pessoas, momentos são coisas que vem e vão.
E a coisa mais importante que fica com você é:
Dar valor às coisas simples da vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário