Você foi a seção da minha revista, você me enlouqueceu como ninguém em toda a humanidade. Você foi o único com quem eu poderia falar nessa lingua secreta entre nós e os lençois. Você fez minha mente e meu corpo arder, você despertou a fúria de uma mulher na noite, e quando eu te conheci, há muito tempo atrás, eu estava tão só, meu coração estava batendo tão rapido e eu tive que escrever essa canção.
E assim vai:
Você me fez sentir tão bonita, como se o sol estivesse sempre brilhando quando você estava no controle. Você é meu Sr. Mistério e não existe nenhuma forma de como eu posso explicar o que você me faz sentir. Nas noites de amores na sua sacada, eu me sentia sortuda. Quem achou que um dia seria eu?
Você me levantava até onde eu queria estar, você fazia tudo tão claramente e eu podia ver que você era o unico que eu estava sempre pensando, meu primeiro amor, pra quem eu fiz essa canção. Você me conhecia bem e você sempre me fez sentir como se eu fosse a unica. Eu sei que o seu amor é real.
Adorava quando você cochichava nos meus ouvidos. Você dizia as coisas mais doces que eu queria ouvir. Eu nunca pensei que eu poderia me sentir assim, e quando eu te deixava de manhã, eu ficava pensando em você o dia inteiro.
Vamos lá.
Quando você me deixou lá naquela dia, eu pensei que você ia voltar de qualquer forma. Não? Mas tudo bem, eu não vou cair. Eu tenho que me levantar e seguir em frente, já que é dessa forma que você quer. E eu não vou ajudar, cansei de procurar um novo amor, mesmo com a minha chance de talvez achar alguém melhor. Eu tenho certeza que você vai se ferrar, e nessa hora você não precisa dizer: "Droga, eu me pergunto por que eu terminei com aquela vadia, agora nós estamos gastando todo esse tempo procurando garotinhas pra pegar. Estou tão sozinho, eu tenho o telefone dela... Eu posso ligar pra ela e pedir pra ela me aceitar de novo."
- Alô?
- Sou, sou eu.
- Hmm, e daí?
- Eu cometi um grande erro.
- É, você cometeu.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
First love that I made this song about.
Crônica do coração de Bebel.
Quero contar essa história que li. Li tanto que senti, vi, vivi. Gostei. Nada da arte que se confunde com a vida, mas uma noção do que o sentimento pode fazer. Logo eu volto com o blog, agora tenho o app no celular. :)
Ela não era mais uma menina, muito menos, comportava-se como uma mulher. Era ela, autêntica, sem pudor, sem amarras e sem medos.
Ele era o medo dela. Ele era único. Era o motivo de todo o alvoroço na vida dela.
Foram feitos da mesma forma, com os mesmos defeitos e os mesmos segredos. Se podia ouvir o eco em seus pensamentos, encontravam-se no vão do espaço-tempo e ficavam juntos mesmo que estivessem longe um do outro. Mesmo que ficassem dias sem se ver.
Era tarde, estava sozinha. Era o horário em que ela desistia do dia e sabia que aquele não valeria mais. A força com que agarrava o travesseiro dizia: a saudade sempre chegava, mas a dor sempre acompanhava. Não era sempre, mas quando aparecia, era um misto de todos os sentimentos, tanto aqueles bons que faziam rir e aqueles ruins que faziam doer. Pouco mais daqueles que doíam, porque ela sabia que eram os que mais estavam evidentes depois de tudo que aconteceu.
Chovia de uma forma gostosa, fazia o frio que ela adorava, seria só mais uma noite normal: chuva, travesseiro, música, insônia. Em meio aos barulhos dos pingos na porta, ouviu alguém batendo como se estivesse com pressa. Não teve tempo de pensar em quem poderia ser, abriu a porta da sala e congelou, de frio e de susto. Era ele, no meio da noite, com os olhos molhados. As lágrimas daquele rosto se confundiam com a água da chuva. Aquele olhar cheio de raiva não escondia, não era necessário dizer pra ela entender, mas ele disse:
- Eu odeio te amar!
Assustada por estar de frente com quem havia amado por longos 6 anos e estava há seus exatos 3 meses e 5 dias longe, lembrou das últimas palavras proferidas por ele e fez questão de salientar:
- Você disse que eu não iria mais te ver, vai quebrar sua palavra? - lhe afirmou em tom forte, mostrando a ele que ainda conseguia ser indiferente, mesmo que as lágrimas em seu rosto mostravam o contrário.
Em meio ao choro e a chuva, ele disse:
- Eu também sei mentir.
Aquelas palavras fizeram o seu coração apertar, num instante sua cabeça baixar e cair aquela lágrima no canto do olho que ainda faltava. Ela lembrou de tudo. Levantou a cabeça num gesto automático pra lhe dizer que sentia muito mas as palavras não saíam. Só conseguia se lembrar do motivo que fez os 6 anos se tornarem pó e não podia fazer nada pra voltar no tempo. Ela quis se desculpar, mas o fantasma de 3 meses e 12 dias atrás jamais deixaria. Ele estaria lá, o resto de suas vidas, na forma de um colega de faculdade que a fez deixar de lado todos os seus planos e mudar de vida drasticamente.
- Não posso te convidar pra entrar, você sabe. - ela avisou, na tentativa de quebrar o silêncio, a lembrança e as lágrimas que ficaram quando parou a chuva - Ele está em Buenos Aires, cuidando de nossa mud...
- Eu sei! - ele interrompeu com a voz grave - Só queria ter certeza de que te veria de novo. Achei que dessa vez ouviria você me pedir perdão por ter jogado fora nosso amor.
Ela não podia dizer nada. Bastaram-na as mentiras que lhe disse quando o trocou por uma paixão carnal. Ela jamais imaginaria que aquela atração lhe prenderia a ponto de abandonar a vida que tinha e aceitar ir morar fora do país. Era feliz ao lado do cara que recém conhecera. Tinha tudo que queria, mas bastava parar para pensar que lembrava-se de quem realmente amava, daquele que ela sentia que era seu predestinado. Daquele que era seu outro eu.
- Eu sabia que você não se arrependeria. - ele disse, a encarando com um ar de despedida, tentando ler seus pensamentos. - você nunca me amou.
Talvez nunca tenha o amado, mas naquele momento, sentiu vontade de voltar. Pensou em desfazer as malas e ficar, mas o viu indo embora pela última vez, como sempre, sem ao menos tentar. Retomou sua consciência e gritou da porta da sua casa:
- Eu odeio te amar!