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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Só pra matar a sede #44

Em base de todo julgamento que vou receber eu digo a todos: 
Passou o tempo e eu me desagarrei cada dia mais do que nos é imposto já quando nascemos, sem nem ter uma opinião formada pra saber se é esse mesmo o caminho que queremos seguir. Não estou dizendo fervorosamente que não sou cristã ou que sirvo "o outro lado", ao meu ver, quando não acreditamos no improvável, não acreditamos em mais nada que não seja real, comprovado, teoricamente mostrado ou físico. Minhas escolhas não dependem mais do julgamento de um ser celestial e fico feliz em me diferenciar por escolha própria. Tinha medo de ser vista dessa forma, temendo a "justiça divina" e isso faz parte de toda pessoa cristã, esse é o motivo de ter escondido isso muito tempo, o que não imagino ser certo.
Não tenho mais medo de nada. Nem de circunstâncias, nem dos meus pensamentos, nem de minhas consequências e pretendo viver minha vida da mesma forma, ou seja, não quer dizer que eu vá deixar de escolher sempre o que é bom pra mim, porque não preciso de regras pra saber o que é doce e o que é salgado, tenho a mente aberta a toda sabedoria que eu puder agregar à minha vida. "Mais importante que ter uma religião, é encontrar a religiosidade dentro de si mesmo. Encontrar o sagrado, pode ser apenas e tão somente uma questão de praticar a paz, não apenas dentro de nós, mas principalmente fora de nós. Assim tornamos o nosso mundo o próprio paraíso na Terra."
Estou me sujeitando a um certo preconceito, porque nada no mundo hoje em dia é aprovado quando não está "aos olhos de Deus", mas digo que se querem me fazer ser cristã, os faço pensar em suas ideologias, e elas costumam ser maiores que os seus julgamentos.
Assim como eu respeito a todos e aceito cada crítica como construtiva, peço que respeitem a minha posição.

Só pra matar a sede #43

Me vi obrigada a escrever no blog. Há dias ando tendo uma epifania familiar, que de algum modo, justamente agora, veio muita coisa que passei à tona.
Tive umas discussões leves (ao meu visto) com minha família - se é por assim dizer, porque considero mais como as pessoas que me criaram, ou tentaram me criar ao modo delas - e tentei mostrar à elas alguns pontos que hoje em dia, como mãe, vejo mais claramente.
Minha adolescência, como já citei aqui mesmo no blog, foi cheia de divergências. Fui trancada sem sucesso em um mundo que queriam que eu entrasse sozinha. Fui isolada de coisas que consegui conhecer. Fui trancafiada em um mundo paralelo que fingia estar, mas sem querer. 
Aos meados dos 14 anos comecei a sair, me divertir, conhecer pessoas, gostos, coisas, lugares, formas, inclusive a tal vida social. Nessa época ainda não entendia a capacidade da minha inteligência, mas via tudo acima, em um contexto de obviedade, em que "se é dessa forma, é porque é e pronto, não há poréns", não por ser teimosa (meu ponto forte - e fraco algumas vezes) mas por ser óbvio. Toda menina de 14-15 anos quer saber o que é se divertir, já dizia Cyndi Lauper, mas no momento em que viram que eu poderia saber, me impuseram uma depressão que não tinha, que me fazia ficar isolada, coberta com anti-depressivos fortes que serviam para o artifício "você não pode sair, usa remédios fortes controlados", "não ingira bebidas alcoólicas, pode te dar um infarto". É, de veras, uma ótima forma de controlar uma filha adolescente que quer sair e conhecer o mundo ao redor. Sem pudor, minha subconsciência me dizia pra não sucumbir a isso e me negava a fazer qualquer tratamento, fazendo com que meu organismo sentisse falta de remédios controlados e caísse de verdade em uma depressão, mudando meu humor de "adolescente normal e resmungona" para "adolescente com bipolaridade". A armadilha estava feita. Passei essa fase tentando me enturmar com as pessoas, apesar da imagem de "controlada por remédios faixa preta", conheci gente que nunca pensei que conheceria e que, sem eu saber, fizeram diferença hoje em dia em meu senso de responsabilidade e solidariedade. Nunca distingui classe social, aparência, lugares que frequentavam, se moravam com os pais, tios, avós ou qualquer outra coisa e nunca deixei que nada me impedisse que eu fosse amiga de todo mundo, sem exceções (algo que levo comigo até hoje), mas minha família fazia questão de me colocar em um status social que eu não me importava em estar. Eram muitas reclamações, muita frustração em querer controlar uma pessoa que não precisava de controle algum. Muitas vezes fui taxada de "rebelde" por bater o pé no que achava certo ou até irrelevante, tive muitas discussões desnecessárias que nem hoje em dia me ouviriam. Um fato que hoje em dia vejo com olhos de mãe e me sinto moralmente atingida, eram as vezes em que usavam de chantagens absurdas em que diziam que se eu saísse de casa certos dias depois de um certo horário (até se fosse na casa de amigos que moravam no mesmo bairro que o meu), não poderia mais voltar. Eu realmente não voltava. Viam isso como "fugir de casa", eu via como "seguindo uma regra ridícula e sem fundamento, mas seguindo". Muitas vezes eu não queria mais voltar mesmo, tive que dormir na casa de amigos e na rua, mas levava comigo o "se sair, não volte mais" à risca. Não entendo até hoje esse tipo de diálogo nem tampouco as situações em que me colocavam, entendo só que realmente não conhecia a capacidade da minha inteligência. Hoje, como mãe, vejo que tudo que eu precisava era de confiança, que aos poucos, depositaram em mim, mas que se tivesse sido imposta a tempos atrás, eu não precisaria ter passado por constrangimentos que tenho até hoje em falar desse assunto.
E pelas minhas irmãs que supostamente tentaram me mostrar que certas pessoas não agregariam nada à minha vida, me sinto envergonhada por elas. Como disse em meu Twitter: elas não gostavam de quando eu "andava" com pessoas de classe social baixa, mas nunca fizeram nada pra mudar isso. Nunca me disseram "em vez de você sair com essas pessoas hoje, vamos sair com uns amigos meus", "vem conosco, vamos te mostrar um lugar legal pra sair nos fins de semana", "quero te apresentar um amigo meu, você vai se interessar nele". Se duvidas, aceitaria na época, coisa que não faria hoje em dia.
Aconselhar não são só palavras, é mostrar o rumo das coisas. E mostrar o rumo não é impor, é dar chances pra conhecer coisas além do próprio mundo. Fico feliz em ver que hoje em dia eu estou excluída completamente dessa parte da minha família e não tenho contato direto. Salvo as vezes em que me apareço como a menina casada, que tem uma casa e um filho pra cuidar, mas vejo como uma criança sem sucesso, mas é algo que tento evitar. Muitas vezes tentei me aproximar como a mulher que sou, mas fazem questão de me colocar na ordem de criança, infantil, fraca, ingênua, inocente e inexperiente - o adjetivo mais desnecessário que podem me dirigir, depois de tanta experiência que tive em tão pouco tempo. Dessa parte, sou sempre a última a saber dos fatos, a última a ser convidada a participar de uma reunião em família, a última a recorrer quando se precisa de ajuda. Me sinto desconfortável, insignificante e justamente por isso me afasto e paro de tentar. Confesso que carrego um pouco de amargo por todos esses caminhos espinhentos que andei, mas é assim que se aprende, é com o coração remendado que se da valor a um inteiro.
Hoje em dia eu tenho uma família de verdade, em que não preciso ficar com vontade de não voltar pra casa, hoje em dia não sinto remorso por ver minhas amigas conhecendo pessoas e eu não, hoje eu tenho valorização pelo que eu sou, E COMO SOU!
Portanto, quando ouvirem eu falar sobre família, vou encher meus olhos de lágrimas e dizer a plenos pulmões quem ela é: meu marido, meu filho e eu.